Eu odeio…

Posted in Uncategorized on 12/15/2009 by connexio

Uma vez um jornalista me disse que jornalismo cultural era o triunfo da irrelevância. Achei a frase sensacional, mas não sei se concordo. Jornalismo cultural não é menos relevante que jornalismo esportivo ou agrícola. O que talvez em concorde é que o jornalismo cultural de hoje é irrelevante.

O Guardian fez uma lista das pessoas que arruinaram a primeira década do novo milênio. Esta lista, este tipo de matéria, o tom do artigo são os mairoes aliados da frase do jornalista sobre o triunfo da irrelevância. Eu adoro o Guardian, que é um dos melhores jornais do mundo (e certamente o melhor grupo de mídia deppois da BBC), mas esse artigo tem o tipico fedor das redações de cultura, onde um tipinho metido a cool, que aprendeu a falar uma língua estrangeira na escolinha de milionários que ele estudou e que arrota gozo de admiração com a própria magnitude, senta diante do computador para ficar tentando encontrar frases de efeito que transformem-o num Norman Mailer.

Anos atrás, me lembro de uma coluna que li do Sergio Dávila na Folha. Ele tinha sido mandado para Bagdá, que à época, estava em guerra. O assunto primordial de sua coluna era a dificuldade de se encontrar cerveja na cidade. Claro, certamente esse era o fato mais relevante numa guerra devastadora numa das cidades que originou a civilização ocidental e do Oriente Médio. Nada mais poderia ser dito.

Naquele momento, me lembro que senti nojo do jornalista. O que ele tentava fazer era um golpezinho de cena baixo, imaginando-se retratado como um Andy Warhol misturado com Jack Kerouac, empavonando suas observações inesperadas e “cool”. Inesperada, é inegável. Nem de um zebu do gênero se imaginava tamanha babaquice. Não era jornalismo cultural o que Sergio Dávila fazia no Iraque (aliás, não era jornalismo nenhum, nada além de jatos de escória), mas o tom, a ambição de ter uma “aura” como aquela cultivada no triunfo da irrelevância do jornalismo cultural era a mesma.

As redações de cultura no Brasil nunca se liberaram desse ranço do elemento que quer participar da história ao invés de apresentá-la. Uma entrevista como a que André Caramante fez para a Rolling Stone (não conheço pessoalmente Caramante e acho a RS brasileira algo próximo de um embuste) é um raríssimo exemplo de capacidade de lapidação de um perfil. A regra é a de meia dúzia de amiguinhos que faz o pequeno tráfico de influências para determinar os próximos trends de acordo com o que eles leram na NME, patrocinando suas próprias intervenções culturais  – musicais, literárias ou seja lá o que forem – que invariavelmente são um lixo fétido e criando um feudinho onde podem aproveitar das pequenas corrupções que a posição oferece.

Jornalismo cultural está longe de ser – quando bem feito – triunfo da irrelevância (mesmo a frase senso sensacional). O mapeamento cultural adequado, independente das opiniões e gostos do jornalista, adicionam ao jornal um valor histórico decisivo. Não é necessário ir até um livro de Norman Mailer para chegar a  essa conclusão. Nos trabalhos de algumas décadas atrás ou em pílulas espontâneas como a de Caramante para a RS, dá para sentir a importância do assunto. Do modo como é feito hoje, no geral, não é o triunfo da irrelevância. É o triunfo da burrice também. E este triunfo é indiscutível.

Ela e a minha mente

Posted in Uncategorized on 12/10/2009 by connexio

Minha mente é mais forte que eu. Lute ou não para ficar bem, empurrando a vida para aquele caminho que parece ser o melhor a ser seguido naquele momento,segurando com força o arame farpado que dilacera a mão quando se é hora de pagar para ver. Nada importa. Tudo pode ir bem, o céu pode estar azul, a noite pode ter sido ótima, a cama pode ter sido épica. Nada importa. Minha mente é mais forte que eu.

Descobri isso há muito tempo, mas não tive coragem de aceitar até ontem. Quando olhei nos olhos dela, vi uma mulher apaixonada. Ela não tinha razão nem jeito para mentir e exalava uma felicidade juvenil, pura, mas ainda assim feminina como Afrodite. Eu senti os braços dela tremerem quando tirei a cabeça do meio das pernas dela. Eu não tinha dúvida que ela me amava. E ainda assim, eu tive medo. Era difícil, naquele momento, encontrar um modo de ter medo, mas eu tive. Eu sou bom nisso. Eu consigo trazer abaixo o céu se for para evaporar o que eu mais quero.

Mas naquele dia, naquele olhar dela na cama dela, com o braço esticado e trêmulo, uma coisa mudou. Eu descobri que minha mente era mais forte que eu, mas nem tudo passa pelos engraxados trilhos cartesianos do caralho que ela estende. Nem tudo. É a minha mente que serviria para me manter são, me recolocar em pé depois de um baque – e não foram poucos recentemente. Só que ela preferiu dar-se o luxo de ferir com a luz aquele que devia amar. E a tortura começou.

Só que naquele dia, ainda o olhar dela, além de despertar a consciência de superioridade de mim sobre mim mesmo, também iniciou um levante da escória,  de quem sentia o que queria sentir, fundo, e não pretendia parar. Era ali que eu queria estar e nem eu mesmo poderia me impedir. Se a via crucis virou um circo, decidi que ia jogar na mesma quadra. Eu contra eu mesmo.

Ela não sabe, mas naquele olhar me deixou perdidamente frágil. Talvez eu soe barroco demais, operístico, renascentista ou rococó para quem está versando sobre o sofrimento que nasce de nada. Na declaração de amor que eu assinei com meu sangue sobre a minha carne pulsando, ela ficou na dúvida se havia um mal-entendido sobre o que cada um sentia. Soubesse ela a verdade, não sei se faria a mesma coisa de novo, me olhar com aquele conteúdo que saíra de um lugar branco, alvo, puro, intocado e virgem, e ainda assim, completamente infectado por um visitante sombrio da dúvida. Em uma fração de segundo, ela me salvou. E nem sabe disso. Tomara que não queira voltar atrás.

Você não sabe

Posted in Uncategorized on 12/04/2009 by connexio

Se você soubesse cada coisa que acontece quando eu falo algo para você…

Se houvesse um filme de como tudo se montou, se construiu, se ajeitou, esperando o que viria…

Se desse para você ver, tocar, sentir o lugar em que cada nervo se apoiou, se deitou e descansou, mastigando a própria carne para esquecer a dor…

Se em algum momento a prova do que foi e virá a ser chegasse à sua mão, como um documento importante, dizendo tanta coisa que nunca ninguém disse, mas viveu e pagou caro.

Se esse seu medo esperto, vivo e atento, soubesse a história toda, cansada e machucada, sem esperança nem suspiro, e entendesse que a trilha é escura, só porque é no escuro que se aprende a ver…

Se esse teu olhar vivo, tão atento e cheio de coisas não se assustasse com os ecos de anteontem que não vêem a luz de hoje sem uma sombra de amanhã…

Se tudo isso acontecesse, você ia dormir hoje, com a alma tão mais leve, a cabeça descansando e o coração tão cheio. Iria dormir e acordar amanhã sorrindo, sem saber por que.

O que pode…

Posted in Uncategorized on 11/27/2009 by connexio

… querer dizer um momento no qual a gente sabe que as coisas ão estão mal,  mas a sensação é oposta? Isso é esquizofrenia, depressão ou lucidez?

Se todo mundo (incluindo você) considera que um dado número de metas atingidas significa “estar bem” – metas essas que você alcançou de um modo ou de outro – não estar feliz implica em um dos dois primeiros. Se você se dá conta de que tudo o que os outros seres humanos consideram fundamental é, na verdade um grande, imenso, inominável balde de merda, por outro lado, o terceiro diagnóstico parece mais realístico.

Por outro lado, muita punhetação filosófica também não ajuda. Um cachorro, se encontra um osso, curte aquele osso e foda-se o resto. Ele pode sentir falta de carinho, mas não destrói o prazer do osso por causa disso. Eu não (eu ou nós?): arremesso esse caralho desse osso para fora da galáxia porque não estou legal.

Há um clique entre as duas coisas, uma chavinha que a gente vira (ou deveria poder virar) para dar às coisas as prioridades que elas têm e não um “problema momentâneo default” pelo qual a gente sofre, seja ele a derrota do time de futebol ou uma megatragédia que varreu sua família do mapa.

Não consigo encontrar esse dispositivo em mim, mas ele está lá – eu sei. Uma hora eu encontro esse filho da puta.

Uma queixa e uma reflexão

Posted in Uncategorized on 11/26/2009 by connexio

Uma amiga estava se queixando para mim da depressão que se abateu sobre ela por causa da proximidade do aniversário da morte da mãe. Me coloquei a pensar na morte do meu próprio pai (que já aconteceu há quase duas décadas) e senti  um flash do gosto acre de uma lembrança ruim.

Eu acho que tenho uma boa memória. Meus amigos também sempre me perguntam como consigo lembrar de coisas tão inúteis e distantes, mas ainda assim de alguma forma marcantes, como, sei lá, o Ronaldo Resedá, o Mister Sam ou o Krig Rá que passava na Gazeta. Não sei. De um modo geral, é legal ter uma memória boa, mas situações como a dessa amiga querida (queridíssima, linda, apaixonante) cobram o preço. É um pouco o Prometeu acorrentado, a dor de uma ferida funda que é inédita em todas as vezes.

Por que razão essas coisas são tão difíceis de esquecer? Eu queria conseguir lembrar só da minha cachorra que morreu nos momentos dela fazendo arte, mijando no tapete, arreganhando os dentes, subindo na cama de noite com jeito de traquina e largada no sofá que nem um saco de penas. Só que lembro também da agonia dela doente, a carinha dela na última vez que a vi. E não quero lembrar. Não quero sentir isso.

De umas certa maneira, ela continua viva, assim como as lembranças da minha amiga mantém a mãe dela viva. Só que se depende totalmente de mim, o que me impede de apagar o que eu não quero? Por que certas coisas têm de ser talhadas no diamante e outras moldadas na areia? Estou cansado de gastar minha energia com sensações de merda que não quero mais por perto. Se alguém tiver uma dica, por favor, se apresente.

 

Nietzsche

Posted in Uncategorized on 07/14/2009 by connexio

Joseph Campbell on marriage

Posted in Uncategorized on 06/30/2009 by connexio

“Marriage is not a love affair. A love affair is a totally different thing. A marriage is a commitment to that which you are. That person is literally your other half. And you and the other are one. A love affair isn’t that. That is a relationship of pleasure, and when it gets to be unpleasurable , it’s off. But a marriage is a life commitment, and a life commitment means the prime concern of your life. If marriage is not the prime concern, you are not married.”

Marriage is not a love affair, it’s an ordeal. It is a sacrament, the grace of participating in another life. If you go into marriage with a program, you will find that it won’t work. Successful marriage is leading innovative lives together, being open, non-programmed. It’s a free fall: how you handle each new thing as it comes along. As a drop of oil on the sea, you must float, using intellect and compassion to ride the waves. What I see in marriage, then, is a real identification with that other person as your responsibility, and as the one whom you love. Committing yourself to anyone, turning your destiny over to a dual destiny, is a life commitment. To lose your sense of responsibility to the person who has given you that commitment because something comes along that enables you to think, "I’d like to fly off in this direction and forget that which has already been committed"-this is not marriage. I do not think you are married unless your relationship to your spouse has primary consideration in your life. It’s got to be top.

That everyone I knew was waiting on a queue

Posted in Uncategorized on 06/09/2009 by connexio

To turn and run when all I needed was the truth

Tentando entender

Posted in Uncategorized on 06/09/2009 by connexio

O que é dá para fazer quando tudo o que você acredita some. Desaparece. deixa de existir. O chão sob os seus pés não se abre. Ele nunca esteve ali. O que é que nos mantém num lugar em que a gravidade não permitiria estar a não ser a nossa própria consciência? Dá para fugir do momento em que você se dá conta de que tudo nunca existiu, que a realidade é uma construção cultural , que as coisas não são como são mas como queremos vê-las et cetera e tal?

Olha, não dá. Decepção é um “false friend” de “deception”, que significa “fraude, estratagema, armação”. Eu jamais tinha visto a coisa assim, mas é óbvio que elas têm muito a ver. Uma leva à outra ou è trazida por ela. Dá para pensar uma sem a outra, claro, mas dê uma olhada em volta: se você procurar bem as coisas estarão lá. E, como sempre, foi você que não quis ver.

Um dia eu acordei e o mundo não existia. Nesse dia eu chorei para caralho. A cor que eu tinha sonhado era na verdade um cinza triste feito por um mau artista. Esse dia foi ruim. Só que teve um dia pior: foi quando eu acordei e o mundo existia. A cor que eu tinha sonhado era na verdade um cinza triste feito por um mau artista. Nesse dia eu não chorei, mas minha inocência escorreu pelo ralo.

O dia de hoje

Posted in Uncategorized on 05/24/2009 by connexio

Não, não há nada especial no dia de hoje, mas é isso exatamente que está errado. Eu sinto que a vida passa lá fora, mas ainda sssim, eu não consigo esticar a mão para pegá-la. Esse sol está forte demais para eu poder fazer alguma coisa. não sei bem como expressr, mas acho que a dor vem dessa sensação, de uma coisa muito legal que passa na sua frente e você não vê.

Todos os dias eu me pergunto se estou fazendo alguma coisa errada. A quantidade de incompreensões dos últimos tempos tem sido grande demais para passar em branco. Alguma coisa está fora de sintonia.

Ficar sozinho é péssimo, mas ao mesmo tempo, meio viciante. Depois de um tempo sem poder contar com ninguém, esse passa a ser o "default". Eu sei que é triste, mas eu não inventei o dia de chuva. As coisas são como são.

Eu tenho muita vontade de sair e te encontrar numa esquina ensolarada, sentar começar a conversar sobre qualquer coisa, sem raciocinar. É esse raciocínio que me mata. Ele é implacável, incansável e impossível de satisfazer. Definitivamente, "ignorance is bliss". Mais: "So is stupidity".

É possível que ninguém esteja certo? É possível que todo mundo estea perdido, voando para a luz meio sem saber porque e nem que porra de luz é essa? Não acho que eu tenha a solução, mas acho sim que os outros não têm também. Tem um momento em que todas as perguntas não têm resposta? Se tem, eu estou nele. Fincado. Nesse caso, o que se deve fazer? Esperar a chuva passar?

O que aconteceu que tudo parece distante e gelado de uma hora para a outra? O que me incomoda mais não é essa solidão física, carnal. É a outra, mental, psicológica. Não sinto que há ninguém na Terra que pertença à mesma raça. Muitas das coisas que me incomodam parecem incomodar somente a mim e a mais ninguém. Para mim, elas são óbvias. Para os outros, não.

See some people

Posted in Uncategorized on 05/23/2009 by connexio

See some people shine with glee
But their song is jealousy

Their hate is clanging, maddening

Mensagem do dia

Posted in Uncategorized on 05/14/2009 by connexio

Shrink to your cellars, holes, and cells;
In halls ye deck another dwells.
Why shake the chains ye wrought? Ye see
The steel ye tempered glance on ye.

Why, oh, why…

Posted in Uncategorized on 05/11/2009 by connexio

Why, oh, why…

didn’t I take the blue pill…

Hoje…

Posted in Uncategorized on 05/01/2009 by connexio

… passei o dia pensando em qual a coisa que mais me aflige: se é a solidão em si ou o medo dela. Tem sido dificil lidar com a ideia de que sim, é possivel que a gente acabe sozinho, sem ninguem e que todo o discurso sobre uma cara metade, par etc seja retórica de poesia do século XIX.

Sinceramente, não sei se eu estou passando dos limites com as reprovações ao mundo e às outras pessoas. Em termos de resultados, sim, estou. Não é possível que seja tão distante o julgamento que eu faço das coisas e situações e o que outras pessoas fazem. Objetivamente, analisando coisa por coisa, não, tenho certeza que não exagero. Ficar estarrecido com maus-tratos a animais, se condoer com o que passam os povos árabes. Ah, sei lá. No fim, também não sei se não é tudo papo cabeça, punhetação mental para me torturar.

O problema básico, concreto é o seguinte. Não encontro mais os meus pares. não sinto que eu tenha companhia" no meu modo de pensar e agir, quanto mais encontrar alguém que entenda o que eu quero sem dizer nada.

E nesse caso, o que devo fazer? Para onde eu tenho de olhar e procurar por uma explicação, por uma instrução, um "hands-on guide"? E se eu não achar? Devo entrar no jogo e salvar o que dá para salvar, aceitar o que tem na mesa? Será que é isso? Mais relevante – será que eu consigo fazer isso? Um dia, daí, vou virar para meu filho (supondo que com o pacote Mediocridade I venha família, casa, esposa, emprego "seguro’, etc) e dizer: seu pai é muito foda. só tinha bosta para comer e ele topou. Ou será que a avaliacão sobre o que é bosta é que está errada?Tags: , ,

 

A luz azul

Posted in Uncategorized on 02/09/2009 by connexio

Estava lá, sentado, assistindo à TV. De repente, sem nenhum sinal aparente, como se tivesse inalado um ar diferente, que viera de um lugar qualquer que desconhecia, disse: "Acho que ela tem outro". Olhei na sua direção e ele estava imóvel. A luz da tela da TV, de um azul bruxuleante combinava com o risco amarelo da luminária de canto fazendo um cenário para o seu rosto imóvel. Impassível.

Só quando eu o interpelei sobre o que ele estava falando é que ele esboçou um movimento. Virou a cabeça para a esquerda, roboticamente, enquanto os músculos da face seguiam paralisados, aparentemente desligados do sistema nervoso central. Não piscava. Perguntei se estava tudo bem. E ele respondeu. "Tá tudo bem sim. Mas ela tem outro. E todo mundo sabe".

Naquele momento, minha dúvida já se expandira. Antes, era sobre qual seria o assunto que ele estava falando, porque naturalmente não poderia estar falando dela. Mas além disso, minha intriga era a respeito de como o assunto – seja lá qual fosse – tinha vindo á sua mente.Aquela armadura impassível não era a sua cara. A sensação que eu, espectador, tinha, era a de uma espécie de possessão, uma tomada de comando por parte de uma entidade alienígena, estranha, exterior.

Me virei para ele, pela primeira vez, com a cara séria, enquanto a luz azul seguia fazendo coreografias na sua cara. A cachorra, confortavelmente instalada no canto direito do sofá, virou os olhos na minha direção como que acusando uma mudança de status na situação. Algo se movia. Algo estava para acontecer. Eu mesmo me sentia engolfado por um certo tropor que parecia estar em torno dele.

Primeiro, perguntei sobre o que ele estava falando e ele laconicamente respondeu, com um tom de obviedade e impaciência na voz. "Tô falando dela. De quem mais eu poderia falar?". A impassibilidade continuava. Não era como se ele estivesse falando da namorada, alguém que, mal ou bem, tinha uma relação com ele. Era mais como se estivesse lembrando de que tinha de comprar uma cabeça de alho na manhã seguinte ou sobre a existência de almôndegas em uma panela verde escuro no fundo da geladeira. Mantendo o tom, começou a dar mais informações. neste momento, a cachorra já tinha levantado a cabeça e prestava atenção, como se também já estivesse intrigada pela situação.

"Há algumas coisas que nos pegam de sopetão. Uma hora você abre uma porta e ela cai na sua cara, que nem uma tábua de passar roupa. Em outras, ela vai se infiltrando, preenchendo os espaços, como a água. A verdade não tem muita cerimônia para dar as caras. Não posso dizer que sempre soube de tudo, mas recapitulando, dá para ver onde estava cada personagem da estória. Cada vez que uma coisa estranha aconteceu e você deixou de lado, cada vez que um indício a mais passava batido, desimportante."

Eu seguia sem entender.A luz azul continuava lá, o único vestígio de movimento no seu rosto.

"Por alguma razão, parado aqui, todos esses indícios, meses de indícios foram escorrendo para algum lugar da minha mente, mas eles não faziam sentido em si só. Só que alguma coisa mudou. Um deles provocou uma reação em outro ou em outros e eles começaram a se acender. Eu acho que sempre soube – ou pelo menos sei há muito tempo – que a chance dela ter um caso era alta, mas nunca tinhame forçado a entender. Alguma coisa ocorreu e eu entendi. Ela tem outro. Não que eu lamente. Na verdade, acho que estou mais aliviado do que outra coisa. Nunca – em nenhum momento – nem de longe, gostei dela como tentava gostar e persisti mais por insistência do que qualquer outra coisa.. Sempre imaginei como era ser traído e ligava isso a uma reação de raiva e descontrole. De fato, é o mais frequente. Só que não é o caso."

Pela terceira vez, virou a cabeça para a esquerda e me olhou nos olhos.

"Sabe, eu não gosto de ser traído, e ultimamente isso aconteceu muito, só que eu não vou fazer drama por conta disso. A natureza humana é essa. A verdade é um fardo pesado demais para se carregar e é preciso uma rara dose de caráter. Não estou feliz em ter me dado conta do óbvio, mas não estou irritado por uma razão. Sabe qual? A cada pessoa dessas que eu deixei pelo caminho, me livrei de uma doença. Elas não tem nada além dos protozoários, bactérias, vermes ou vírus. Cumprem o seu papel na Terra, biologicamente programadas para isso. E farão isso até o dia em que morrerem, sem deixar vestígios. Algumas até vão deixar. Lesmas. Elas deixam um rastro gosmento."

Fez uma pausa e continuou. "Eu posso me perguntar qual é a vantagem, então, de não se comportar assim, bacterianamente. Infelizmente, não encontro razão lógica para explicar isso além de uma determinada coisa que me mantém em pé. Me faz levantar de manhã, fazer o que tem de ser feito e não desistir, chorar ou passar mais nervoso. Não sei explicar exatamente o que é isso. É uma coisa meio ingênua, mas ela dá um certo orgulho. A verdade é uma acompanhante cruel. Dá trabalho, cria problemas e normalmente torna as coisas mais duras. Só que ela tem um abraço realmente reconfortante. É um sorriso que sai pelo ar que você expira, uma vontade de rir e um relaxamento que não se mapeia no corpo."

Deu um sorriso breve, levantou, apagou a TV e subiu. A cachorra o seguiu. Enquanto subia, falou, no mesmo tom sereno de antes. "Você fecha a porta quando sair, por favor?"

Nunca mais a viu.

Fumbling towards ecstasy

Posted in Uncategorized on 03/22/2008 by connexio

All the fear has left me now
I’m not frightened anymore
It’s my heart that pounds beneath my flesh
It’s my mouth that pushes out this breath

And if I shed a tear I won’t cage it
I won’t fear love
And if I feel a rage I won’t deny it
I won’t fear love

Companion to our demons
They will dance, and we will play
With chairs, candles, and cloth
Making darkness in the day
It will be easy to look in or out
Upstream or down without a thought

And if I shed a tear I won’t cage it
I won’t fear love
And if I feel a rage I won’t deny it
I won’t fear love

Peace in the struggle
To find peace
Comfort on the way
To comfort

And if I shed a tear I won’t cage it
I won’t fear love
And if I feel a rage I won’t deny it
I won’t fear love
I won’t fear love
I won’t fear love…

Reflections on a mote of dust: The Pale Blue Dot

Posted in Uncategorized on 03/20/2008 by connexio

“And yet there is no sign of humans in this picture, not our reworking of the Earth’s surface, not our machines, not ourselves. We are too small and our statecraft is too feeble to be seen by a space-craft between the Earth and the Moon. From this vantage point, our obsession with nationalism is nowhere in evidence. The Apollo pictures of the whole Earth conveyed to multitudes something well known to astronomers: On the scale of worlds–to say nothing of stars or galaxies– humans are inconsequential, a thin film of life on an obscure and solitary lump of rock and metal.

But for us, it’s different. Look again at that dot. That’s here. That’s home. That’s us. On it everyone you love, everyone you know, everyone you ever heard of, every human being who ever was. lived out their lives. The aggregate of our joy and suffering, thousands of confident religions, ideologies, and economic doctrines, every hunter and forager, every hero and coward, every creator and destroyer of civilization, every king and peasant, every young couple in love, every mother and father, hopeful child, inventor and explorer, every teacher of morals, every corrupt politician, every “superstar”, every “supreme leader”, every saint and sinner in the history of our species lived there–on a mote of dust suspended in a sunbeam.

The Earth is a very small stage in a vast cosmic arena. Think of the endless cruelties visited by the inhabitants of one corner of this pixel on the scarcely distinguishable inhabitants of the other corner, how frequent their misunderstandings, how eager they are to kill one another, how fervent their hatreds. Think of the rivers of blood spilled by all those generals and emperors so that, in glory and triumph, they could become the momentary masters of a fraction of a dot.

Our posturings, our imagined self-importance, the delusion that we have some privileged position in the Universe, are challenged by this point of pale light. Our planet is a lonely speck in the great enveloping cosmic dark. In our obscurity, in all this vastness, there is no hint that help will come from elsewhere to save us from ourselves.

It has been said that astronomy is a humbling and character-building experience. There is perhaps no better demonstration of the folly of human conceits than this distant image of our tiny world. It underscores our responsibility to deal more kindly with one another, and to preserve and cherish the only home we’ve ever known, the pale blue dot.”

Carl Sagan

Enjoy the Ride

Posted in Uncategorized on 03/05/2008 by connexio
Shut the gates and sunset
After that you can’t get out
You can see the bigger picture
Find out what it’s all about
You’re open to the skyline
You won’t want to go back home
In a garden full of angels
You will never be alone
But oh the road is long
The stones that you are walking on
Have gone

With the moonlight to guide you
Feel the joy of being alive
The day that you stop running
Is the day that you arrive

And the night that you got locked in
Was the time to decide
Stop chasing shadows
Just enjoy the ride

If you close the door to your house
Don’t let anybody in
It’s a room that’s full of nothing
All that underneath your skin
Face against the window
You can’t watch it fade to grey
And you’ll never catch the fickle wind
If you choose to stay

But oh the road is long
The stones that you are walking on
Have gone

With the moonlight to guide you
Feel the joy of being alive
The day that you stop running
Is the day that you arrive

And the night that you got locked in
Was the time to decide
Stop chasing shadows
Just enjoy the ride

Stop chasing shadows
Just enjoy the ride

Infinito

Posted in Uncategorized on 01/28/2008 by connexio
Ironia del destino volle che
io sia ancora qui a pensare a te
e la mia mente flash
ripetuti attimi vissuti con te
è passato tanto tempo ma
tutto è talmente nitido
così chiaro e limpido
sembra ieri.
 
Ieri avrei voluto leggere i tuoi pensieri
scrutarne ogni piccolo particolare ed evitare di sbagliare
diventare ogni volta l’uomo ideale
ma quel giorno che mai mi scorderò
mi hai detto non so più se ti amo o no
domani partirò sarà più facile dimenticare dimenticare
 
"E adesso che farai?"
risposi io non so
quel tuo sguardo poi
lo interpretai
come un addio
senza chiedere perchè
da te mi allontanai
ma ignoravo che
in fondo non sarebbe mai finita.
 
Teso ero a pezzi ma un sorriso in superfice
nascondeva i segni di ogni cicatrice
nessun dettaglio che nel rivederti
potesse svelare quanto ci ero stato male
Quattro anni scivolati in fretta e tu
mi piaci come sempre forse anche di più
hai detto so che un controsenso
ma l’amore non è razionalità
non si può capire
ore a parlare poi abbiam fatto l’amore
è stato come morire
prima di partire
potrò mai dimenticare dimenticare.
 
L’infinito lo sai cos’è irraggiungibile
fine o meta che
rincorrerai per tutta la tua vita
ma adesso che farai
adesso io non so
infiniti noi
So solo che non potrà mai finire
mai ovunque tu sarai
ovunque io sarò
non smetteremo mai
se questo è amore è amore infinito.

Aqualung

Posted in Uncategorized on 01/22/2008 by connexio

Battle cries
We make the swift retreat
Paradise
It don’t come
cheap
Square up to fight
Like dynamite
 
The flight is young
We’re getting deep without an aqualung
Our will
is strong
We got to work at where we’re goin wrong
Buttercup
I think we missed a turn
Back it up
You’d think I’d learn
Your gelignite
Sets truth
alight
The flight is young
We’re getting deep without an aqualung
Our time
is long
We got to find out where we’re coming from
Square up to fight
Like dynamite
 
The flight is young
We’re getting deep without an aqualung
Our will
is strong
We’ve got to work at where we’re going wrong
Light years from here
We’re gonna burn up in the atmosphere
It’s crystal clear
We’re coming swinging on the
chandelier